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15 julho 2020

Outro cenário.

São quase 18h e o céu já está escuro. A lua hoje está gigante, e como moro no décimo oitavo andar, a lua ilumina a sala toda. Parada na janela com o meu copo de vinho em mãos, a cidade parece tão pequena aqui de cima. Nunca pensei que fosse conseguir ter o meu próprio apartamento, ainda por cima, com a vista que eu queria. Mas é claro que os meus problemas não acabaram. Dou uma golada no meu vinho. Seco. Eca. Porque comprei essa merda? Gosto de coisa doce.

Acho que estou olhando a rua há quase meia hora, enquanto ouça a minha playlist de crise. Sim, playlist de crise. Larguei a terapia e me apaguei a isso. Estava cansada de falar sobre mim e não resolver nada. Começa a tocar Bang Bang da Jessie J, Ariana e Nick Minaj. Merda de música animada, me arrependo de não ter aceitado o convite das meninas para sair pra dançar. Largo a taça de vinho em cima da mesinha, aumento o som e danço sozinha. Que se foda! 

14 julho 2020

Senhor Mathias e eu.

Já são quase 11 horas da manhã e o Sol ainda não apareceu. Na verdade, enquanto escrevo, está começando a chover. Amo o som da chuva. E o cheiro também. Apesar de ser uma pessoa do verão, do sol, suor e calor, é em climas chuvosos que eu relaxo de verdade. 

Consigo me transportar para tantos cenários.. Eu, na minha casa de campo, o cheiro das folhas e da chuva se misturando, enquanto estou sentada na minha escrivaninha terminando o meu próximo livro. Sozinha em casa, na companhia apenas do meu chá e do meu gato. Senhor Mathias. Sim, meu gato é um senhor e tem nome de gente. As vezes ele se esfrega em mim, como quem diz "ei, humana, para um pouco, aprecia a vista". E, então, eu obedeço, e olho pela janela. A janela da sala é enorme, daquelas de vidro, e consigo enxergar todo o campo lá fora ou, pelo menos, até onde a neblina deixa. A chuva já está fraquinha, mas o barulho na telha ainda continua. Que delícia viver assim. Até esqueço que segunda já tenho que voltar para a cidade e ao trabalho. Difícil ter um emprego fixo e ser escritora ao mesmo tempo. Trabalho em uma editora há pouco tempo. A pressão é grande, mas eu gosto. E apesar de não ser o que a maioria dos filmes retratam, a minha chefe é maravilhosa comigo. Miau. Desculpa, preciso parar agora, tenho algo mais imporante para fazer: acariciar o meu gato.

06 abril 2018

A viagem pode esperar.

Confiro as malas: ok. Minha passagem só de ida para Londres: ok. Meu coração totalmente feliz? Bem, pela metade... Passo os olhos pela casa; não acredito que após 10 anos vou conseguir realizar o meu sonho de ir à Londres! Solto um longo suspiro, sorrio, pego as minhas malas e vou em direção a porta; assim que giro a maçaneta e a puxo, o vejo. 

Eu pergunto, nervosa, o que é que ele está fazendo ali. Ele, então, ajoelha-se na minha frente, segura as minhas mãos, me encara, com aqueles olhos cor de mel que tanto me encantam, e despeja tudo o que estava sentindo. Obviamente, ele me pede para ficar, e eu, obviamente, fico sem reação.

Mas quando eu estava perto de dizer um não, ele soltou uma gargalhada de nervosismo, passou a mão pelos cabelos e se levantou. E foi com aquele simples gesto, que me encantou quando o conheci, que eu recordei de tudo que a gente viveu, todas as risadas, momentos, planos... Planos, junto ao homem que eu amo.

'Eu fico', respondi, foi quando ele começou a chorar e me abraçou forte e eu o abracei, para nunca mais soltar. Afinal, é mais fácil se conseguir outra oportunidade para Londres, do que um amor verdadeiro que te completa tão bem.


(Texto escrito pela Bruna de 2009)
(Observação da Bruna de 2018: o sonho de ir pra Londres foi realizado ♥)